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Tecnologia aplicada à administração e Processos Administrativos

Organizações como agentes de mudanças e a influência da sociedade

Posted by Robson Nery Souza Garcia em segunda-feira (19), outubro, 2009

influenciaUma visão importante do administrador hoje, seja ele administrador de uma empresa, de uma organização, líder comunitário, é a visão de como sua organização pode influenciar e é influenciada na sociedade atual.

Não quero abordar as ações sociais, marketing, etc. que podem ser feitas para influenciar e tal. O que quero é mostrar  que todos nós influenciamos e somos influenciados, e que essa visão sistêmica deste processo pode ser favorável para um convívio sem atritos entre as organizações e os meios onde atuam. O importante é saber identificar os pontos fortes e fracos desta relação entre você (como organização, como líder) e o meio onde atua.

Como se dá esta influência ? A influência é algo que interfere direta ou indiretamente no meio, causando mudanças, sejam elas benéficas ou maléficas Por isso classificamos como agentes de mudança. De uma forma ou outra, alguma mudança existe para se adequar a esta influência causada. Na maioria das vezes, o que vemos é uma adequação do menor ao maior (jogo de poder, nem sempre maior e menor é a relação de poder econômico, existem outros fatores como mobilização, network, etc.). O menor, sem poder para influenciar o maior, acaba se moldando a este novo cenário.

Existem alguns casos clássicos abordados pelos grandes autores, mas me identifico melhor com o cotidiano.

Vamos ao primeiro: um caso típico do cotidiano são os lava-jatos. Eles normalmente ocupam o espaço físico de sua propriedade e ainda monopolizam as vagas de estacionamento alheias. Podemos identificar claramente como eles influenciam na vida daqueles que necessita de estacionamento naquela região.

Mas vamos descer mais um nível e analisar o prejuízo que podem estar causando ao meio em que estão situadas (só vamos deixar bem claro que, estamos falando daqueles que trabalham da forma como foi exposto neste cenário).
Você abriria um negócio em uma região onde seus clientes não achariam estacionamento, pois a maioria ficam ocupadas ou estão demarcadas pelo lava-jato ? É, acho que a resposta para esta pergunta é não. Com tantos pontos comerciais, acho que o mais provável seria achar um local mais adequado aos clientes.  Ampliando um pouco mais o nosso ângulo de visão, podemos perceber que as atitudes desta empresa vão refletir na sociedade local, influenciando empresas sobre a decisão de se instalarem nas redondezas.
E você, agora no papel de morador, sabendo do incômodo causado por essa empresa, se sente confortável em levar seu carro para lá, sabendo que espalham todos na rua, que tem hora que você mesmo, morador do bairro, não consegue estacionar por causa dessa prática ? Além de não levar, é comum que as pessoas julguem e divulguem negativamente a imagem daquela empresa. Gerando um ciclo de influência negativa para todos.

A influência exercida gera reflexos, positivos ou negativos no meio onde vive.

Imagine um cenário diferente, onde o lava-jato mostrasse uma postura diferente, se organizando melhor e apenas mantendo em seu estabelecimento um número adequado de veículos, seja através de agendamentos ou até mesmo buscando os veículos, oferecendo maior segurança aos seus clientes (já que os carros estão na rua e sem supervisão), deixando o espaço livre para a rotatividade dos clientes das demais empresas da região. A influência neste cenário seria diferente do cenário acima, no mínimo deixaria de criar uma restrição à sociedade local e ainda, posso observar que o trabalho organizado acaba gerando um diferencial em relação aos demais, já que carro é paixão nacional e quem tem trata como um filho, e pré-supõe que um ambiente organizado é mais adequado para deixar seu veículo em mãos estranhas. E porque não oferecer serviços a quem está com o carro estacionado ? Seria interessante também a possibilidade de parcerias com as empresas locais, quem sabe um valor agregado para as empresas parceiras, que poderiam oferecer desde duchas-grátis até um serviço de segurança. E ainda, tem oportunidades junto à comunidade local que poderiam ser exploradas.

No cenário apresentado, por mais simples que seja, podemos ver também que, a sociedade é influenciada pelas empresas e também exerce influência, por causa dessa influência, que no primeiro cenário é negativa, uma região pode deixar de ser cliente, forçando uma empresa a mudar sua postura.

É comum empresas mudarem a rotina das pessoas. Recordo-me da instalação de uma fábrica no nordeste há anos atrás (infelizmente não me lembro o nome). Mudou todo o perfil de uma região. Onde predominava a pobreza, a falta de esperança, o total descaso da sociedade e do governo, agora predomina um ar de dignidade, podendo manter suas famílias com um mínimo de conforto, ter acesso à educação e saúde (ambos fornecidos pela empresa) e ver seus filhos irem para a escola (instalada pela prefeitura após a implantação da fábrica). A vida das pessoas e o perfil da região mudaram completamente, a falta de emprego e descaso eram os grandes problemas da região. O interessante neste caso é a visão estratégica da empresa, que identificou na região uma possibilidade de promover o bem social e ainda promover um grande ganho para a empresa, que investiu em treinamentos e alguns benefícios e em contrapartida, ganho propaganda grátis e um caminhão de dinheiro em isenção de impostos por um longo período de tempo.

Me recordo também de uma boate, onde investiram muito dinheiro em equipamentos, divulgação. Um local bastante badalado. No final das contas, houve um processo judicial, que julgou o local inadequado para tal atividade. Focaram no público-alvo, e esqueceram de olhar quem estavam influenciando. E como agente de mudanças, esbarrou em outro agente de mudança, que na época, se não me engano, era um desembargador que residia em um edifício próximo e estava sendo bastante incomodado com a perturbação causada.

Nas grandes empresas esta visão deve ser bem ampliada, recentemente tivemos na mídia alguns casos interessantes, como a construção de uma siderúrgica chinesa em conjunto com a Vale em Anchieta(ES), o lançamento foi lindo, incluía participação da sociedade, cultura local, patrocinadores de peso. Só esqueceram do meio ambiente, a influência da operação da empresa na região geraria um problema muito grande para a população e o meio ambiente em geral: iria faltar água. Todo o projeto foi vetado e o investimento perdido (a Vale está reestruturando o projeto para uma nova investida, mas o prejuízo já está contabilizado).

Gosto muito de cultivar o que aprendi uma vez em uma palestra em 1998 se não me engano, acho que foi com o presidente da HP Brasil na época. Ele chamava de atitude ecológica nas ações. Ele cultivava a idéia de, ao ter que tomar alguma atitude, seja em relação a qualquer coisa, primeiro observar o ecossistema ao qual está associado, tentar prever o que e quem seria afetado e refletir sobre todas as variáveis para assim, chegar a decisão de tomar ou não tal atitude.

O que temos que enfatizar é a presença das organizações como agentes de mudança, sua ações provocam mudanças. E lembre-se quando falamos em organizações, estamos generalizando. Pensem em como o governo influencia nossas vidas quando aumenta um imposto, nos caras-pintadas em 1992, na mídia e nos grupos de interesses por trás dos caras-pintadas. É realmente um jogo que pode ser bem jogado para o bem ou para o mal. O ideal (o que eu acredito) é que haja realmente o conceito de ecologia associado às ações.

Um abraço a todos

Robson Garcia
robson@dreamvix.com.br
Diretoria

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